7 de out. de 2008

Contos de Alyce - Capítulo 2

Ainda não entendi a necessidade das pessoas de darem um nome para qualquer tipo de relacionamento que se tenham na vida.
É uma coisa chata e profundamente desnecessária. Só que parece que por mais avançada que sejam as técnologias, há uma necessidade intensa de se voltar ao passado.
Retrógrado demais.
Denominar o momento com um novo "status do orkut".
Amigo, ficante, namorado, marido...
Tantos nomes que me deixam com a cabeça atordoada!
Ninguém entende a moral da história, porém é mais simples do que se imagina.
Afinal, o que se faz com um amigo não faríamos se ele fosse namorado e se for marido então, nem se fale!
A coisa fica mais séria!
Sempre achei que sentimentos por si só, já eram sérios demais e por isso bastavam.
Mas não, inventaram os rótulos.
E rótulos?
Rótulos são para geléias!
De nada adianta um "posto"na vida de alguém se o sentimento que predominar não seja satisfatório para ambos.
É como as ligações initerruptas e sem sentido, as mensagens ao longo do dia dando satisfação de cada suspiro.
Perde-se tempo demais caracterizando algo ao invés de realmente vivê-lo. É como se nesse meio perdessemos partículas minúsculas de algo realmente importante.
Lembrando que somos feitos de partículas pequeninas e que no contexto final forma tudo o que somos.
Portanto, julgo esses pequenos fragmentos de história talvez os mais importantes.
Aqueles que realmente carregam o DNA das pessoas.
Uma conhecida minha sempre que chegava com um cara novo dizia:
"Eu e fulano nos gostamos muito" e isso significava que as coisas entre eles estavam ficando sérias.
Ora com outro ela falava: "Ah, estamos nos curtindo!".
Sem compromisso.
Todo mundo sacava na hora e não haviam mais perguntas de quando, como ou onde.
Paravam por aí.
E eu achava bacana o modo dela viver a vida.
Simples. Sem floreios. A coisa nua e crua mesmo.
Acho até mais fácil de digerir, mas como diria o ditado, pra que facilitar se podemos complicar as coisas, não é mesmo?
Quando eu pensava em algo que eu realmente queria, imaginava essa coisa livre.
É como o conhecimento, sabe?
Se não estiver livre, com asas, se não perambular por todos os cantos nunca será seu realmente.
Algo que fica guardado como propriedade logo perde a graça e consecutivamente o valor.
Por isso, cheguei a conclusão que para algo ser nosso, antes de mais nada ele precisa ser livre.
As vezes me perguntam se eu não deveria já dar um nome a tudo isso...
E eu acho que não há necessidade...

...

O sorriso apesar de parecer sempre o mesmo para todos, para mim sempre transmite algo que vai além do que todo mundo pode ver.
Abraços sinceros e o cheiro gostoso que fica no nariz por dias a ponto de passar na rua e reconhecer a coincidência dos perfumes em algum desconhecido.
As brincadeiras mais idiotas que nos transformas ainda mais em crianças.
E os olhares!
Os mais sinceros e ternos que existem.
Sem denominações...
O que basta é aquela sensação boa de ter valido a pena. Na essência mais pura que existe. Desprovido de qualquer nome necessário ao entendimento alheio.
Afinal, o importante mesmo é que tenha sentido...
Pra ambos!

Nenhum comentário:

Postar um comentário